ESTENOSE DE URETRA: COMO IDENTIFICAR E O QUE FAZER

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Introdução

O jato urinário que vai perdendo força aos poucos, a sensação de que a bexiga nunca esvazia completamente, a necessidade de fazer força para urinar: esses sinais passam, com frequência, despercebidos por anos. A estenose de uretra é uma condição pouco diagnosticada que afeta predominantemente homens, embora também possa ocorrer em mulheres. Estima-se que sua prevalência gire em torno de 200 a 600 casos por 100.000 homens em países industrializados. O problema real está no atraso no diagnóstico: muitos pacientes convivem com os sintomas por mais de dois anos antes de procurar um especialista.

O que é

A uretra é o canal que conduz a urina da bexiga até o exterior do corpo. Na estenose uretral, esse canal se estreita em um ou mais pontos devido à formação de tecido cicatricial. Esse tecido fibroso, mais rígido do que o tecido original, reduz o diâmetro interno da uretra e dificulta a passagem da urina. O resultado é uma obstrução parcial (ou, em casos avançados, quase total) do fluxo urinário.

Por que acontece

A causa mais comum é a formação de cicatriz após algum evento que lesionou a uretra. Os mecanismos mais frequentes incluem doença inflamatória provocada pelo próprio organismo, chamada de líquen escleroso (antigamente conhecido como balanite xerótica obliterante). Também temos os traumatismos diretos, como quedas com impacto entre as pernas ou fraturas da pelve; procedimentos médicos que exigiram o uso de sonda uretral por tempo prolongado, cirurgias urológicas; e infecções sexualmente transmissíveis, especialmente a gonorreia, que inflamam repetidamente a mucosa da uretra. Em uma parcela menor dos casos, a causa é congênita, ou seja, a pessoa já nasce com alteração estrutural no canal. Há ainda situações em que nenhuma causa identificável é encontrada.

Como se manifesta

Os sintomas surgem de forma gradual e podem ser facilmente confundidos com outras condições urológicas. O sinal mais característico é a diminuição progressiva da força do jato urinário. A pessoa percebe que precisa de mais tempo para esvaziar a bexiga ou que o jato se torna fino, intermitente ou bifurcado. Outros sintomas frequentes incluem sensação de esvaziamento incompleto após urinar, urgência para ir ao banheiro, dor ou ardência durante a micção e, em alguns casos, presença de sangue na urina ou no sêmen. Nas formas mais graves, o paciente pode chegar à retenção urinária completa: situação em que não consegue urinar de forma alguma e que requer atendimento médico imediato.

Como é diagnosticado

O processo diagnóstico começa com uma consulta detalhada. O urologista ouvirá o histórico do paciente (traumas anteriores, cirurgias, infecções, uso de sonda), fará exame físico (para avaliar lesões inflamatórias) e solicitará exames específicos. Um deles avalia a velocidade e o volume do fluxo urinário, pedindo apenas que o paciente urine em um aparelho simples, semelhante a um vaso sanitário instrumentado. Outro exame utiliza contraste para visualizar o interior da uretra por meio de imagem, permitindo identificar com precisão a localização, a extensão e a gravidade do estreitamento. Esses exames não são dolorosos e fornecem informações fundamentais para o planejamento do tratamento.

Opções de tratamento

O espectro terapêutico é amplo e a escolha depende das características da estenose. Para estenoses curtas e de primeiro episódio, uma dilatação ou uma incisão endoscópica da cicatriz pode ser suficiente. Nesses procedimentos minimamente invasivos, o médico acessa a uretra sem cortes externos e amplia o canal obstruído. No entanto, as taxas de recorrência são consideráveis, especialmente em estenoses longas, densas ou recidivantes.

Nesses casos mais complexos, a uretroplastia (cirurgia reconstrutora da uretra) representa o tratamento com melhores resultados a longo prazo. O objetivo é remover ou substituir o segmento fibrótico, restaurando um canal uretral calibroso e funcional. Dependendo da extensão da estenose, o cirurgião pode utilizar tecido do próprio paciente, como mucosa da bochecha, para reconstruir a uretra. Estudos demonstram que a uretroplastia oferece taxas de sucesso superiores a 85% em acompanhamentos de longo prazo, tornando-a a opção preferencial para casos selecionados.

Quando buscar um especialista

A busca por avaliação urológica é indicada sempre que o jato urinário tiver perdido força de forma progressiva, quando houver necessidade de esforço abdominal para urinar, quando infecções urinárias de repetição ocorrerem sem causa aparente ou quando aparecer sangue na urina. A retenção urinária completa (incapacidade total de urinar) é uma urgência médica e exige atendimento imediato.

A estenose de uretra é uma condição tratável, com opções terapêuticas eficazes disponíveis para diferentes graus de complexidade. O diagnóstico precoce amplia significativamente as chances de tratamento menos invasivo e de melhor resultado funcional. Diante de qualquer alteração persistente no padrão urinário, a avaliação com um urologista é o passo mais importante.